Monday, June 19, 2006

às vezes há focinhos que me preparam a noite
e não sei se continuarei viva.
às vezes a casa tem tantos cantos
que a minha silhueta é salgada
e tenho navios na ponta dos dedos.
o travo que me acaricia tem um infinito
e as minhas pálpebras são as conchas da harmonia do meu corpo
sempre que as encontro.

um tornado traz as sementes das borboletas que duram pouco
entre as vértebras entre o pólen da terra, pernoito
a rodear os nervos do meu peito crucificada
e se eu conseguisse esboçar o vento
seria de precipícios diariamente
e do mortal brilho do meio-dia.



queria destruir um texto com flechas acesas completamente nas mãos
e morrer assim de Verão
em azulejos brancos numa gruta
e o meu cérebro a pique
rotativo e poderoso
como a energia da lua
e agarrar pérolas no coração.

há um sítio astrológico
de cavernas corais
e cristais extensos
que sai do corpo. os mortos levam-me neles
porque tenho arrozais de flores brancas
que me cercam a respiração.

os lençóis onde irei cair são molhados a prata
e a candeias dos palácios.

cristina nery

4 Comments:

Blogger porfirio said...

olá duendita

:
DESTRÓI

mas morrer

NUNCA!

bjo grande
de quem
traz
saudades
!

June 26, 2006 4:54 PM  
Anonymous Anonymous said...

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August 06, 2006 9:50 PM  
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August 11, 2006 12:04 PM  
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August 16, 2006 7:01 PM  

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